
O prefeito de Santo André, Paulo Serra, entregou, nesta quinta (15), no Centro de Formação de Professores Clarice Lispector, óculos inteligentes para crianças e adultos com deficiência visual que estudam na rede municipal de ensino. Foram distribuídos seis equipamentos para alunos de Emeiefs (Escolas Municipais de Educação Infantil e Ensino Fundamental) e dois dispositivos para estudantes da EJA (Educação de Jovens e Adultos).
Os aparelhos unem inteligência e visão artificial para permitir que estudantes cegos ou com baixa visão possam ler, reconhecer rostos, objetos, entre outras funcionalidades. A tecnologia visa promover a inclusão e garantir autonomia dos alunos.
“Essa é uma das entregas mais emocionantes e importantes da nossa gestão. Um equipamento de alta tecnologia, que poucas cidades têm, desenvolvido por uma startup israelense que a cidade entrega para crianças e adultos da nossa rede municipal com deficiência visual. É uma mudança completa não só no aprendizado, formação e desenvolvimento, mas na qualidade de vida dessas crianças e adultos. Estamos muito felizes em poder fornecer isso aos alunos da nossa rede municipal e plantar a semente para que todas as pessoas com deficiência, em especial as crianças, possam ter acesso a esse equipamento”, destacou o prefeito.
Durante a cerimônia os dispositivos foram colocados à prova e passaram no teste. O equipamento do pequeno Lorenzo Brito dos Santos, o primeiro a receber, reconheceu o rosto da pessoa que o entregou: o prefeito Paulo Serra. Já o da aluna Daiane Cordeiro identificou sua professora, Gislaine. O aparelho do José Jonathan da Silva detectou sua mãe, Lidiane, arrancando um grito do menino – e lágrimas dos presentes. Por fim, os óculos de Pedro Henrique Ribeiro indicaram quem estava à sua frente seu melhor amigo, justamente José Jonathan.
“Era meu sonho ter esses óculos”, afirmou José Jonathan. “Isso aqui vai revolucionar! Vai permitir para aquelas pessoas que nunca viram nada enxergarem alguma coisa através da audiodescrição. Vai me ajudar a reconhecer melhor, porque às vezes eu me confundo. Com o rosto da pessoa registrado, vou saber quem é. Vai me ajudar também em textos e livros, porque vou poder compreender melhor o que estou lendo. E vai me ajudar com cores, vou poder saber se é preto ou vermelho”, exaltou Lorenzo, de 10 anos, que tem baixa visão.
Sua mãe, Marivane, esbanjava alegria e depositava grande esperança no dispositivo em prol do desenvolvimento de Lorenzo. “Para mim é um prazer muito grande, foi uma surpresa e muito emocionante, me fez chorar. Creio que daqui para frente vai ser melhor do que como já está sendo para o estudo dele, para o conhecimento. É uma benção. Com a ajuda dos óculos e da tecnologia vai ser bem mais amplo para ele desenvolver o estudo”, disse ela.
Os aparelhos de apenas 22,5 g e de simples adaptação às armações de óculos são chamados OrCam MyEye e unem inteligência e visão artificial, permitindo o acesso fácil, intuitivo e instantâneo à informação disponível em tempo real com funcionamento totalmente off-line. A Prefeitura adquiriu nove equipamentos (um ficará de reserva e também servirá para capacitação dos profissionais de ensino). O investimento foi de aproximadamente R$ 14 mil por dispositivo.
São sete as principais funções dos equipamentos. Eles possibilitam, por exemplo, leitura instantânea de textos (nos idiomas português, inglês e espanhol) em livros, revistas, jornais, cardápios, documentos, placas de ruas, conteúdos no celular, tablets e computadores, embalagens, letreiros de lojas e placas indicativas, por exemplo, apenas apontando a linha desejada.
O aparelho dispõe ainda de identificação em tempo real de rostos por gênero e gravação de até 150 faces; reconhecimento de cédulas de dinheiro (real, euro e dólar); identificação de cores e tonalidades, e muito mais. Conta ainda com conexão para fone de ouvido bluetooth. A velocidade da leitura também pode ser controlada, permitindo até aproximadamente 250 palavras por minuto, com voz feminina ou masculina.
Essas unidades adquiridas contemplam todos os deficientes visuais identificados na rede municipal de ensino. Inicialmente, os estudantes passarão por uma capacitação para usar e depois poderão também utilizar fora do ambiente escolar, de maneira integral. “Estamos combatendo a maior das desigualdades, que é a desigualdade de oportunidades, que tira a capacidade que as pessoas têm de atingir e diminuir outras desigualdades. Hoje estamos aqui dando oportunidade para essas crianças se desenvolverem”, completou Serra.













