Cidades Mauá

ONU-Habitat inicia Periferia Viva em Mauá

Comunidade Chafick-Macuco, no Jardim Zaíra, em Mauá (Fotos: Divulgação)

A comunidade ChafickMacuco, no Jardim Zaíra, em Mauá, passa a receber um conjunto integrado de intervenções urbanas e sociais, voltadas à melhoria das condições de vida da população, como parte do Programa Periferia Viva, coordenado pelo Ministério das Cidades e implementado pela Prefeitura de Mauá em parceria com o Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat).

Por meio de uma abordagem territorial, participativa e integrada, o Periferia Viva promove a transformação de áreas urbanas vulneráveis. As ações previstas incluem obras de saneamento básico, drenagem, pavimentação, contenção de encostas e melhorias habitacionais, definidas a partir de diagnóstico técnico aliado à escuta e à participação das comunidades locais.

Iniciada em janeiro, a iniciativa em Mauá conta com o ONU-Habitat como Assessoria Técnica Territorial (ATT), contribuindo para fortalecer a participação social, a articulação institucional e a implementação das ações voltadas à melhoria das condições de vida de milhares de moradores. Por meio de uma equipe multidisciplinar atuando na comunidade, a iniciativa vai elaborar um plano de ação com base em diagnóstico técnico e participação popular, articulando o conhecimento técnico às demandas e dinâmicas identificadas no próprio território.

O trabalho combina diagnóstico do território com participação da comunidade, mobilização social e diálogo contínuo com moradores, lideranças e instituições locais. Para atender a população, a parceria conta com o Posto Territorial – espaço que funciona como ponto de referência para que a comunidade acompanhe o andamento das ações, tire dúvidas e acesse informações sobre as intervenções previstas. O posto está localizado na Av. Castelo Branco, 1930, no Jardim Zaíra, dentro da Secretaria de Proteção e Defesa Civil, e funciona de segunda a sexta-feira, das 9h às 16h.

O prefeito de Mauá, Marcelo Oliveira, destaca que o Periferia Viva vai mudar o cenário de um bairro historicamente carente em infraestrutura e à margem de políticas públicas. “Com o apoio do ONUHabitat, foi possível integrar diferentes secretarias municipais em torno de um objetivo comum: garantir que milhares de moradores da região do Chafick-Macuco tenham acesso a serviços sociais, saneamento, drenagem, contenção de encostas, mobilidade urbana e políticas públicas de qualidade. E a transformação do território depende diretamente da participação ativa da população, do fortalecimento da organização comunitária e da articulação contínua entre o poder público e a sociedade civil”, disse.

A coordenadora de projeto do Periferia Viva Mauá, Ana Carolina Alencar Nunes, destaca: “O Periferia Viva é um programa que prevê um diálogo constante entre os atores envolvidos com o território, respeitando e valorizando as experiências e vivências de cada um deles. Nessa grande parceria, espera-se beneficiar mais de 7 mil pessoas do Chafick-Macuco, com intervenções que correspondam às históricas lutas dessa comunidade urbana a partir de uma escuta que acontece em vários momentos. Queremos garantir que a participação da comunidade seja espaço de protagonismo e direitos, construindo juntos um Plano de Ação que seja viável e corresponda às necessidades de quem vive esse espaço cotidianamente”.

Primeiras atividades incluíram visitas técnicas, mobilização comunitária, reuniões com
moradores e articulação com serviços públicos

PRIMEIROS PASSOS

A atuação do ONU-Habitat foi iniciada com a realização de uma oficina, em janeiro, que reuniu equipes da Prefeitura de Mauá e representantes institucionais para organizar as etapas iniciais do trabalho. Com o início dessa etapa, a equipe passou a atuar diretamente no território a partir de visitas técnicas e levantamento de informações em campo.

As atividades permitiram aprofundar a compreensão sobre as condições urbanas, ambientais e sociais da região. Em paralelo, foram realizadas ações para identificar e articular atores-chave no território, incluindo lideranças comunitárias, coletivos culturais, instituições religiosas e organizações sociais.

Visitas a equipamentos públicos também contribuíram para mapear redes locais e compreender o funcionamento dos serviços disponíveis, com o objetivo de ampliar as bases para uma atuação integrada. A equipe participou ainda de ações intersetoriais promovidas no território, como uma atividade na feira do Jardim Zaíra que reuniu diferentes secretarias municipais e serviços públicos em atendimento direto à população.

O espaço possibilitou o diálogo com moradores e moradoras em uma área de grande circulação da comunidade e contribui para divulgar o Periferia Viva no território. Reuniões com a comunidade também foram realizadas em áreas diretamente impactadas pelas intervenções previstas, como no subsetor Júlio Antônio Condé, onde foram apresentados detalhes sobre obras de contenção de drenagem.

O encontro, promovido pela Prefeitura em articulação com o ONU-Habitat, funcionou como espaço de informação e preparação da comunidade para as intervenções, incluindo a discussão de impactos temporários das obras e a organização de formas de acompanhamento por parte da população local.

Próximas etapas incluem aplicação do Mapa Rápido Participativo, metodologia que envolve
coleta de dados em campo com apoio da população

PRÓXIMAS ETAPAS

Com as etapas de diagnóstico, visitas de campo e mobilização já iniciadas, o projeto entra em uma nova fase. Nos próximos meses, serão intensificadas as ações de participação, com a realização de oficinas temáticas, reuniões ampliadas e espaços de validação das propostas, nos quais moradores e moradoras poderão contribuir diretamente para a definição das soluções planejadas.

Uma das ações em andamento é o Mapa Rápido Participativo (MRP), uma metodologia de pesquisa qualitativa do ONU-Habitat utilizada para aprofundar a leitura do território com apoio da população. A coleta de dados em campo sobre temas como mobilidade, infraestrutura, serviços urbanos e condições habitacionais vai contribuir para qualificar o diagnóstico e orientar a elaboração do Plano de Ação com base em evidências e na experiência cotidiana da população.

Foram iniciadas também as etapas preparatórias do cadastro socioeconômico, que tem como objetivo atualizar as informações de todas as famílias inseridas na área de urbanização integral e garantir que as ações da iniciativa atendam às especificidades locais e que o processo participativo seja inclusivo.

O cadastro contempla a identificação georreferenciada de todos os domicílios, com informações detalhadas sobre características socioeconômicas das famílias e características físicas das moradias. Também está prevista a realização de uma Oficina de Articulação Intersetorial, que reunirá diferentes secretarias municipais para mapear políticas, programas e serviços existentes no território, além de identificar oportunidades de integração e expansão das ações.

A iniciativa busca fortalecer a governança local e promover uma atuação mais coordenada entre as diversas áreas da gestão pública. Paralelamente, avançam o detalhamento dos projetos técnicos e o planejamento das obras, em articulação com a Prefeitura de Mauá.

As primeiras intervenções previstas incluem obras de drenagem, contenção de encostas e melhorias de segurança e mobilidade no território. A expectativa é que a execução das obras ocorra de forma articulada ao fortalecimento das redes comunitárias e dos canais de participação.

Nesse processo, o ONU-Habitat vai seguir atuando na articulação entre os diferentes atores envolvidos, contribuindo para que as intervenções estejam alinhadas às necessidades e às dinâmicas do território.