
Quem nunca enfrentou uma fila no banco? As gerações atuais, acostumadas aos bancos digitais, não imaginam como era difícil pagar uma simples conta bancária, fazer um depósito ou retirar dinheiro em bancos físicos nas décadas passadas. O trabalho era todo manual, até os anos 1980/1990 quando preenchíamos formulários para depósitos em cheque, citando um por um: nome do banco e do titular da conta, número do cheque, valor e data.
Eu me recordo quando ia ao antigo Banco Noroeste, na esquina da Rua Mal. Deodoro com a Rua Dr. Fláquer. Levava uma pasta repleta com uma papelada imensa e chegando lá, dependendo do dia, ainda enfrentava uma fila enorme, para ser atendida por um dos caixas que conferia tudo o que eu levasse.
Aliás, fila em banco era o que não faltava. Fila para depósito, só aceitava depósito. Se também tivesse contas a pagar, a fila era a geral, a maior de todas. Eu chegava a ficar de 40 a 50 minutos aguardando a vez, com outras pessoas. O jeito era ficar conversando, pois não tínhamos celular para nos distrair! Também havia filas para o balcão onde se resgatavam cheques devolvidos e se obtinham outras informações. No início de cada mês, uma outra para o pagamento dos aposentados.
Em meados dos anos 1980, os caixas eletrônicos foram criados e muito bem aceitos pelo público; o auto atendimento diminuiu o número de pessoas no interior das agências. Nesta mesma época, os bancos viviam de portas abertas, os gerentes ficavam em mesas próximos à entrada do estabelecimento e todos circulavam livremente entrando e saindo da área bancária. Normalmente, um só segurança na porta dava conta de tudo.
Isso ocorreu até se iniciarem os assaltos a bancos no final dos anos 90. A solução encontrada foi a instalação da porta giratória na entrada para aumentar a segurança local. Que eu me recorde, havia os seguintes bancos na Rua Mal.Deodoro, que hoje não mais existem ou foram absorvidos por bancos maiores: Banco Francês e Brasileiro, Unibanco, Banco Sudameris, HSBC, Bamerindus, Banco Real e o Noroeste, o primeiro a se instalar em São Bernardo.
Os bancos, que vem de longa data e permanecem até hoje na Marechal são: Itaú, Caixa Econômica Federal, Mercantil, Bradesco, Safra e Banco do Brasil. Posso ter esquecido algum! Ao contrário de hoje, havia tantas agências bancárias na Rua Mal.Deodoro, que acabavam por se destacar mais que as lojas de varejo. Neste século XXI, surgiram os bancos digitais que, pela facilidade dos pagamentos e recebimentos, funcionam 24h, detém cerca de 80% das transações bancárias.
As agências bancárias físicas remanescentes deixaram de ser um centro financeiro, continuam atendendo a um público menos digitalizado e transformaram-se num espaço de consultoria e transações mais complexas.
Elexina Medeiros D’Angelo – integrante da AME (Associação dos Amigos da Memória de São Bernardo).














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