
Nesta semana se comemora os 64 anos de uma trajetória dedicada ao teatro. Tudo teve início em 21 de abril de 1962, num piquenique no Riacho Grande, em São Bernardo. Antonino Assumpção propôs e um grupo de jovens, frequentadores da Paróquia Nossa Senhora da Boa Viagem, aceitou que, juntos, formassem uma trupe de teatro.
E assim, surgiu o Grupo Cênico Regina Pacis. Nome extraído do latim que significa “Rainha da Paz”. O começo foi pensado em disponibilizar lazer e entretenimento, não só aos integrantes do grupo, mas, principalmente oferecer ao público são-bernardense um pouco de diversão, pois na época, as oportunidades de assistir a espetáculos culturais na cidade praticamente não existiam.
E se deslocar para a Capital era algo bem difícil, porque teria que ser de ônibus e com horários restritos e poucos possuíam automóvel. Assim, no começo, pequenos esquetes foram mostrados no antigo e simplório salão paroquial da Igreja Matriz, porque não havia teatros no município.
Com o tempo, ao perceberem que o público estava apreciando as apresentações, decidiram levar ao palco textos de autores consagrados e se aventurar nos festivais de teatro – eventos muito comuns outrora. E logo conquistaram prêmios. O que foi fundamental para incentivar sua continuidade e a busca por mais conhecimento e aperfeiçoamento em muitas áreas do fazer teatral: expressões vocal e corporal, iluminação, sonoplastia, cenário, figurino, entre outras. Isto contribuiu para que os espetáculos tivessem a melhor qualidade possível, mesmo sendo uma equipe de teatro amador, denominada, posteriormente, de “utilidade pública” (lei 1974 de 09 de maio de 1972).
Nestas mais de seis décadas, o Regina Pacis sempre esteve e continua em cartaz com um ou mais espetáculos, numa caminhada ininterrupta. Nem mesmo a censura federal (de 1966 a 1988 que tinha o poder de proibir quaisquer textos ou manifestações teatrais) e a pandemia (que isolou as pessoas dificultando a proximidade com a plateia), impediram que as apresentações acontecessem.
O panorama cultural foi se transformando em todos esses anos e a adaptação do grupo fez-se necessária, ao enfrentar também a perda dos queridos amigos de palco, as decepções, as injustiças e outros contratempos. Nada disso, porém, impediu o Regina Pacis de chegar aos seus 64 anos com garra, paixão, excelência e, assim, continuar teatrando.
Hilda Breda- integrante da AME (Associação dos Amigos da Memória de São Bernardo).















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